Gosto de palavrar, deslavrar e, por vezes, até despalavrar.

Palavrar, não como Pessoa, claro, mas brincar com palavras e frases: componho-as e decomponho-as, deixo-as entrelaçar-se, esticar e encolher, torcer-se ou desaparecer, até encontrarem a sua melhor versão.

Chamo-me Susel e vivo em Mértola, no Alentejo.

Tornei-me professora bibliotecária para estar mais perto dos livros, da leitura e dos mais novos.

Gosto de viajar, de entrar em livrarias como quem descobre sítios secretos e de observar o que me rodeia. Cresci a ouvir histórias e fiquei com o hábito de reparar nos pormenores: frases apanhadas no ar, comentários inesperados e pequenos detalhes que quase passam despercebidos.

As ideias aparecem sem avisar. Algumas passam, outras insistem até eu as escrever e é assim que começam as histórias.

Mas sou também bastante distraída. Muitas vezes, as chaves de casa ou do carro desaparecem e vão parar aos sítios mais improváveis ou, quem sabe, a alguma boa ideia.

Escrevo sobre memórias, emoções, coisas pequenas ou acontecimentos que até podem parecer não ser nada, mas podem significar muito.